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NOVA ABNT NBR 17076:2024

  • Foto do escritor: Arq Jean Reis
    Arq Jean Reis
  • 21 de jul. de 2024
  • 6 min de leitura

Atualizado: há 1 dia

NBR 17076:2024
NBR 17076:2024

O que muda com a nova ANBT NBR 17076:2024 que substituí as NBR 7229:1993 e 13969:1997


Depois de muito tempo sem revisões nas Normas Técnicas que regiam os projetos e instalações de sistemas de tratamento de esgoto sanitário surge uma nova norma técnica para substituir ambas normas de uma vez só.


Expressando minha opinião já, concordo que era merecida a unificação e algumas atualizações principalmente por pouco aprofundamento nas normas antigas que davam margem a muitas interpretações em alguns âmbitos.


Porém discordo em alguns pontos, sendo o principal a limitação das soluções desta nova norma para demandas de até 12.000 litros/dia de contribuição. Em nossa rotina é algo normal passar desta contribuição, que agora em diante será necessário o uso de outros sistemas com custo maior de aquisição, implantação e operação.


Trago neste post as principais alterações, para que sirva de material aos colegas da área e demais interessados no assunto.


Tabela de contribuição NBR 17076:2024

tabela de dimensionamento de tratamento de esgoto

Na nova NBR agregaram mais ocupações permanentes e temporárias, as contribuições da NBR 7229 não mudaram.


Ponto muito positivo é o seguinte item "5.11.3 b) obter a contribuição unitária com dados em campo, considerando 80% do consumo médio histórico de água (histórico de no mínimo 1 ano);" Em suma isso permite o uso da conta d'água para dimensionamento do sistema, trazendo grande paridade entre projeto e sistema a ser implantado.


Item 5.16 - Manual de instalação, operação, uso e manutenção. Ou seja passa a ser necessário os fabricantes e instaladores a entregarem essa documentação, auxiliando no cuidado do sistema.


Anexo A - Dimensionamento do Tanque Séptico,


A fórmula teve pequena atualização nos termos:


V = 1000 + N x(q x T + K x Lf)  

V é o volume útil, expresso em litros (L);

N é o número de pessoas ou unidades de contribuição, expressa em unidades (ud);

q é a contribuição de efluente (esgoto), expressa em litros/unidade/dia (L/ud/d);

T é o período de detenção, expresso em dias (d);

K é a taxa de acumulação de lodo digerido, expressa em dias (d);

Lf é a contribuição de lodo fresco, expressa em litro/dia (L/d).


E quando houver mais de um tanque, este deverá ter 1000 litros a cada tanque adicional acrescido ao volume da fórmula.


Exemplo, se o dimensionamento chegou a um volume de 5000 litros, pode ser instalado 1 tanque séptico de 5000 litros, ou 2 de 3000 litros (5000 + 1000 do segundo TS).


Tabela A.1 - período de detenção dos efluentes (período de permanência mínima no tanque séptico, aproveito aqui para destacar que esse é um dos principais defeitos nos biodigestores, sem a detenção adequada o esgoto não é tratado adequadamente).


Alteração na limitação aos 12000 litros de contribuição diária do sistema



Tabela A.2 - Taxa de acumulação total de lodo (k) (periocidade entre as limpezas)

A.3 - Geometria do tanque séptico


Alterações: diâmetro interno mínimo passa a ser 1,10m


Tabela A.3 - profundidades úteis mínima e máxima, por faixa de volume útil.


Sem alterações, mas aproveito para destacar que desde a norma anterior Fossa Séptica não precisa ter mais de 2,80m de profundidade útil, a perda de eficiência no tratamento por falta de contato no lodo com o uso de pequeno diâmetro e grandes profundidades não traz benefício ao sistema, além de ser perigoso de ser instalado e estar em desacordo com a norma.



A.5 c) tampa de inspeção/acesso localizada sobre dispositivo de entrada, com diâmetro mínimo de 0,60m.


Nova norma deixando claro a necessidade de inspeção e não apenas o popular respiro sobre a tampa da Fossa Séptica.



Figura A2 - Esquema representativo de tanque séptico circular com tê, opção com séptico


Alteração aqui é o uso de Tê, ao invés de cotovelo. Sou contrário a essa atualização visto a formação de gases na Fossa Séptica/Tanque Séptico, que se na edificação não houver ramal de ventilação (veja nosso post sobre o assunto), haverá retorno de odores para o interior da edificação.


Outra alteração, mas essa bem-vinda é a determinação do prolongador abaixo do Tê, de 1/3 da profundidade útil.


E a inclusão de tubo guia de limpeza, sinceramente é interessante na teoria, mas na aplicação em obra um custo a mais sem muito benefício prático, e duvido que a equipe de limpa-fossa se utiliza do recuso quando tem uma inspeção para acesso ao tanque.


Figura A.3 - uso de filtro na saída do tanque séptico. Mais um item interessante na teoria, mas de díficil aplicação e cuidado no uso. Se aplicado só será lembrado que existe quando houver a extravasão de esgoto.



Anexo D - Filtro anaeróbio de leito fixo com fluxo ascendente, filtro anaeróbio.


Assim como no Tanque séptico, houve ajuste nos termos da fórmula, e o tempo de detenção tem uma tabela específica agora em função da temperatura mínima, na pratica em algumas simulações a variação no volume necessário é pequena, sendo uma alteração quase que inútil na nova NBR.


Ponto a favor é a abertura a outros meios de suporte (substitutos da brita), que possam ter melhor desempenho e reduzir o volume necessário.


Vu = Iv x N x q x T  

 Vu é o volume útil, expresso em litros (L);

Iv é a taxa de compensação pelo volume ocupado pelo material do meio suporte, depende do índice de vazios do material aplicado. Na indefinição da taxa para o material específico, adotar 1,6.

N é o número de contribuintes, expresso em unidade (ud);

q é a contribuição de efluentes, expressa em litros/unidade/dia (L/ud/dia);

T é o tempo de detenção hidráulica, expresso em dias (d) - ver a Tabela D.1.




Anexo K - Disposição final do efluente líquido tratado no solo em sumidouro


Alteração nos termos da fórmula


Qprojeto = N x q fórmula padrão

 Q é a vazão, expresso em litros (L);

N é o número de pessoas ou unidades de contribuição, expressa em unidades (ud);

q é a contribuição de efluente (esgoto), expressa em litros/unidade/dia (L/ud/d);


Limitação na profundidade dos sumidouros de até 3,50m, aqui achei muito pertinente, é algo que defendo em que a quanto mais se aprofunda, mais o solo passa a ser úmido e/ou compactado, o que resulta em menor capacidade de infiltração. Além do risco em executar sumidouros profundos, estes passam a ser ineficientes em profundidades maiores.


Distâncias dos sumidouros:

Entre sumidouros deve haver 3 vezes o diâmetro. exemplo para sumidouro de 1,50m a distância entre eles será de 4,50m entre as faces. Algo muito bem vindo, já adotávamos algo próximo a isso, a proximidade entre sumidouros quando não respeitado esse distanciamento interfere diretamente na eficiência do sumidouro.


1,50m de muros e divisas

3,00m de edificações e fundações

5,00m de taludes


K.3.1.8 - Alternância de uso


Agora a norma exige a instalação de no mínimo 2 sumidouros, cada um com 100% da capacidade necessária, ou então 3 sumidouros, cada um com 50% da capacidade necessária, isso para que possa haver a alternância no uso. Concordo muito com essa alteração, um dos maiores problemas na aplicação deste sistema e a perda da capacidade de infiltração do solo com o passar do uso, a alternância permite essa recuperação e com isso o sistema passa a ser praticamente eterno* (* se mantido mesma contribuição do dimensionamento, manutenções periódicas e alternância dos sumidouros, o sistema não terá fim).



Inspeção no sumidouro, não há um tópico específico na norma, porém temos desenho representando a necessidade de inspeção. Acho bem-vindo, em industrias é algo tranquilo de ser aplicado, em residênciasvejo resistência visto muitos cliente optarem em esconder até as inspeções de Fossa Séptica e Filtro Anaeróbio.


Anexo L - Disposição final do efluente líquido tratado no solo em vala de infiltração


Esta norma trouxe mais clareza a especificação de valas de infiltração, segue a mesma fórmula do sumidouro e a necessidade de alternância com 2 valas com 100% da capacidade necessária ou 3 valas cada uma com 50% da capacidade necessária.



Anexo N - Procedimento para estimar a capacidade de percolação do solo (k)


Muito bem-vindo essa revisão também, algo que já temos aplicado em muitos sistemas a realização do ensaio de infiltração da muito mais segurança ao dimensionamento.


Um breve exemplo, para a infiltração de 1000 litros por dia conformo os solos a seguir.


Solo argiloso coeficiente de 40 litros/m².dia temos a necessidade de 25m² de área de infiltração.


Solo típico da região de Sorocaba/SP coeficiente de 70 litros/m².dia temos a necessidade de 14,28m² de área de infiltração.


Solo arenoso coeficiente de 140 litros/m².dia temos a necessidade de 7,14m² de área de infiltração.


Isso demonstra que o solo é determinante no correto dimensionamento da etapa de infiltração, um sistema subdimensionado gera altos custos com limpezas desnecessárias, e um sistema superdimensionando pode impactar num alto custo de implantação, custo que pode ser absorvido facilmente com a realização do ensaio.


Outros pontos interessantes a nova NBR trouxe como outras soluções de tratamento como as WETLANDS, VERMIFILTRO E TANQUE DE EVAPOTRANSPIRAÇÃO, novas possibilidades agora normatizadas.



Caso tenha algum comentário ou dúvida nos contate!!!


Gratidão e vamos cuidar deste planeta que é nosso lar!


Atualização: Estamos participando do comitê de revisão da norma, interessados em contribuir participem também! (edit.: dezembro 2025)


Jean Reis


2 comentários


beroaldolins
03 de jun. de 2025

Boa noite!

E os parâmetros de reúso?

Não consegui visualizar na nova NBR

17076/2024.

beroaldolins@gmail.com

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cat_nov
06 de jan. de 2025

Foi citado biodigestor no decorrer do texto, mas não consegui sanar uma dúvida que tenho. Essa nova norma se aplica para biodigestores também? Se sim, qual o anexo que vejo para saber se o biodigestor foi projetado no tamanho correto?

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